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TENDÊNCIAS

5G e Realidade Estendida: experiências imersivas atingem outro nível

Ao longo da próxima década, a Extended Reality, turbinada pelo 5G, deverá se tornar uma tecnologia chave para empresas e usuários finais

Por Redação The Shift 12/11/2020

O 5G e a Extended Reality (XR) se transformaram nas estrelas do mercado de consumo após a apresentação do novo iPhone, no último evento da Apple. A latência mais baixa e as altas taxas de transferência do 5G permitem aplicações praticamente ilimitadas de XR, conceito que engloba todas as tecnologias imersivas. Espera-se que o casamento do 5G com a XR dê início à próxima onda de inovação e produtividade, não só no mercado de consumo, como no mercado corporativo.

Muitos analistas consideram o 5G uma tecnologia fundamental, que permitirá a verdadeira convergência do XR com outras plataformas poderosas, como nuvem e IA. A baixa latência e o throughput mais rápido de 5G permitirão que o XR aproveite o poder e a escalabilidade da nuvem e a consciência contextual e percepção da IA ​​para conduzir casos de uso de missão crítica.  Além disso, os dispositivos deverão ficar mais leves e funcionais. A Qualcomm espera que visualizadores 5G XR multifuncionais cheguem ao mercado em 1 a 4 anos.

Já a ascensão das tecnologias XR está enraizada em sua utilidade e eficiência nas áreas de treinamento, projeto, compartilhamento e colaboração, entre outras. Os aplicativos para XR abrangem todos os setores: saúde, imóveis, manufatura industrial, educação, varejo, comércio eletrônico, mídia, entretenimento, esportes, etc. Com a conectividade 5G, será possível o surgimento de soluções cruzadas que oferecerão experiências aprimoradas, como as que requerem renderização dinâmica ou visualizações de grandes conjuntos de dados.

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Por exemplo, o design de carros de próxima geração acontecerá em XR. As equipes poderão colaborar remotamente em um ambiente de alta fidelidade “quase real”, iterar rapidamente conceitos e ideias e tomar decisões de forma mais eficiente e barata, com o processo geral de design diminuindo de meses para dias. Além disso, o XR será uma virada de jogo em configurações operacionais, como reparo e manutenção, de forma remota.

Imagine um cirurgião sentado na cidade de Nova York usando um fone de ouvido de realidade virtual para operar um robô que está operando um paciente em Londres. Ou um designer em Hong Kong colaborando em um protótipo 3D com um colega em Helsinque, com seus avatares humanos trabalhando juntos na mesma sala virtual. Que bom seria estar em uma sala virtual com um grande grupo de entes queridos jogando ou assistindo a um show, juntos, agora no tempo do Covid? Tudo isso já deixou o campo da ficção científica faz tempo.

Maturidade da Extended Reality no Brasil

O estudoX-Reality Inside 2020“, da Everis, traça um panorama sobre o uso das tecnologias imersivas no Brasil, em diferentes setores.

Entre as principais constatações do estudo está o fato de que o volume de empresas e de serviços de Realidade Aumentada e Virtual cresceu bastante em 2019/2020 enquanto o preço dos dispositivos autônomos para desenvolvedores e consumidores vem diminuindo, o que demonstra que o mercado está amadurecendo. “Por outro lado, o surgimento de novos players e os altos investimentos, estão acelerando a adoção e aplicação de novos casos de uso, avançando para uso integrado com outras tecnologias e baseadas na web”, explica o diretor de Inovação da Everis Brasil.

A diversidade do ecossistema XR não é tão aparente, mas sua compilação e organização revelou um potencial de crescimento orgânico do mercado, apesar de ainda existirem alguns obstáculos à sua popularização para os usuários finais, tais como; capacidade da bateria, qualidade das lentes, limites de processamento e excesso de sensores espaciais, que estão sendo superados. Os itens com grande potencial para solucionar as barreiras atuais são a projeção de imagens na íris, renderização remota, e o uso da Inteligência Artificial e de redes 5G”, detalha Roberto Pereira, diretor do Digital Lab e de Inovação da Everis Brasil.

Atualmente, a Realidade Aumentada (AR) é a mais adotada. Já vem sendo utilizada pelos setores bancários, de seguros, aeroespacial e de defesa, turismo e lazer, meio ambiente e sustentabilidade, telecomunicações e mídia, além de segurança e manufatura, com projetos ainda incipientes em outras áreas. Em segundo lugar está a adoção de Realidade Virtual, especialmente pelo setor público, de infraestrutura e imobiliário, manufatura, defesa e de entretenimento, cujo avanço é mais lento em função de necessidade de devices (óculos e equipamento de transmissão) que ainda são caros e pouco acessíveis aos consumidores. O uso de Realidade Mista (MR) ainda é pontual, sendo mais comum na área de saúde para treinamento dos profissionais e no mercado imobiliário.

O gráfico abaixo, produzido pelos realizadores do estudo, mostra a maturidade de cada tipo de tecnologia em diferentes setores, com a área externa representando o menor nível e necessidade de pesquisa, e as internas recomendando o desenvolvimento de casos iniciais em produção.

Os mercados mais proeminentes no último ano foram o de Realidade Virtual e Realidade Aumentada pelo volume de empresas e serviços direcionados a eles. Considerando que ambos os temas são recorrentes e generalizados por alguns anos, este resultado é uma consequência do nível de maturidade para o setor.

Os dispositivos autônomos para desenvolvedores e consumidores finais estão mostrando uma queda significativa nos preços, o que aumenta a entrada de novos usuários e serviços neste mercado em crescimento. Por outro lado, os serviços em nuvem ainda têm um alto custo de manutenção e planos de acesso por usuário.

O estudo apontou ainda que as próximas tendências estão focadas em Realidade Aumentada e Aplicações Virtuais baseadas na Web. Iniciando um futuro diálogo com a Realidade Mista em Web e a massificação do mercado em relação aos custos em dispositivos móveis de média e alta tecnologia.

Uma grande mudança é esperada com a chegada de grandes empresas do mercado como Facebook, Niantic, Magic Leap, Huawei, Amazon, Apple e Microsoft. Seus projetos, ainda em desenvolvimento, quando forem lançados, terão um impacto e uma massificação das tecnologias.
O conceito de Computação Espacial e Web Espacial está em evidência entre especialistas, laboratórios e comunidades, mostrando todo o potencial oculto para se tornar o grande capacitador da massificação de servidores baseados em X-Reality, em grande escala, a um baixo custo e com muito mais engajamento.

Empresas como Microsoft, Niantic, Google, Magic Leap, NReal e Apple estão avançadas nesta corrida, liderando a pesquisa e o lançamento de produtos, plataformas e estruturas que aceleram a escala das soluções finais baseadas neste conceito. A Web Espacial está começando a ser desenvolvida, a tecnologia baseada em interfaces de telas 2D será praticamente toda reescrita em poucos anos no formato Espacial 3D, este é o momento para grandes empresas começarem a criar e testar serviços baseados em tecnologias X-Reality.

Para as indústrias de varejo, bancárias, automotivas e de bens de consumo, a Web Espacial mudará a maneira como os clientes interagem com as marcas e são engajados no consumo do produto. Na área de Saúde e Autocuidado, a Web Espacial vai transformar a forma como os clientes previnem doenças e recebem assistência médica. Serviços públicos, arquitetura, engenharia, manufatura serão capazes de simular e diagnosticar projetos e situações de manutenção com muito mais precisão.

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